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O capoto precisa de ser pintado? Mitos e verdades sobre o acabamento de ETICS

Pintar o sistema capoto

O capoto precisa de ser pintado? Mitos e verdades sobre o ETICS

Se está a planeear construir ou renovar a sua casa, é muito provável que o isolamento térmico pelo exterior esteja nos seus planos. No entanto, quando começa a pedir orçamentos, é comum ouvir conselhos contraditórios de alguns empreiteiros. Uma das frases mais ouvidas em obra é: “Olhe que o melhor é dar um barramento e depois pintar por cima, senão isso ganha fungos”.

Afinal, o capoto precisa de ser pintado ou estamos perante um dos maiores mitos da construção civil?

A resposta curta é: Não, o sistema ETICS não precisa de pintura tradicional. Mas para perceber por que razão alguns aplicadores insistem nisso — e como pode evitar ser enganado com materiais de má qualidade —, continue a ler este artigo.

O acabamento ETICS próprio para sua finalização

Para perceber se o capoto precisa de ser pintado, primeiro é necessário compreender como funciona a última camada deste sistema de isolamento.

Ao contrário do método tradicional de tijolo e reboco, que por norma e quase sempre é finalizado com demãos de tinta para ganhar cor, o sistema ETICS utiliza uma massa de acabamento final criada e destinada a esse propósito. Esta massa já vem devidamente afinada de fábrica com a cor pretendida. Ou seja, a cor não é uma película superficial (como a tinta); ela faz parte de toda a espessura da última camada protetora do sistema.

Mas se não se pinta, porque é que dizem que o capoto ganha fungos?

Esta é a grande cartada de muitos aplicadores para justificar a necessidade de pintura. Dizem que, sem tinta, a fachada vai ficar cheia de manchas verdes e negras de humidade. Mas isto é uma meia-verdade que esconde duas realidades de bastidores:

  1. Utilização de revestimentos de péssima qualidade O capoto só ganha fungos e algas se forem aplicadas massas de acabamento baratas, de “marcas brancas” ou sem aditivos adequados. Os revestimentos finais de marcas de referência no mercado são altamente tecnológicos (gamas de silicone ou silicato). Estes produtos são hidrofóbicos (repelem a água) e contêm propriedades anti-criptogâmicas (biocidas de libertação prolongada) que impedem o aparecimento de microrganismos. Se o material for bom, não ganha fungos — ponto final.

  2. Falta de qualificação técnica do aplicador. Aplicar o revestimento final ETICS colorido exige técnica. Tem de ser aplicado de uma só vez, sem pausas a meio da parede, e trabalhado com talocha enquanto está fresco para garantir uma textura homogénea. Para um aplicador menos experiente, é muito mais fácil dar um barramento liso e imperfeito e depois vir com o rolo aplicar duas demãos de tinta comum para disfarçar os defeitos. Dá menos trabalho na hora, mas passa o problema da manutenção futura para o cliente.

Temas e questões importantes acerca de aplicar tinta comum sobre o Capoto

Se ceder à pressão e decidir que o seu capoto precisa de pintura tradicional com uma tinta de construção civil normal, poderá estar a prejudicar o sistema a longo prazo:

  • Retira a respirabilidade à parede: O sistema ETICS precisa de “respirar” (permitir a saída de vapor de água do interior). Tintas de membrana / ditas plásticas criam uma película que retém a humidade, o que pode causar bolores no interior da casa e fazer a tinta descascar no exterior.

  • Escravidão de manutenção: O acabamento original do capoto é feito para durar décadas. Se aplicar tinta comum, terá de repintar a casa de 5 em 5 anos devido ao desgaste solar e microfissuras.

Comparação de manutenção: Acabamento original VS pintura tradicional

Num revestimento final de ETICS em argamassa, destinada a esse efeito, a manutenção estimada é de mais de 15 a 20 anos. A flexibilidade contra fissuras é alta, pois acompanha as dilatações da casa. A resistência a fungos é grande (chegando a ser altíssima em soluções siliconadas / silicatos) e a respirabilidade é excelente, permitindo a saída de vapor.

Na pintura tradicional sobre o capoto, a manutenção passa a ser necessária a cada 5 a 7 anos. A flexibilidade é baixa, pois a tinta tende a estalar com o tempo. A resistência a fungos passa a depender exclusivamente da qualidade da tinta aplicada e a respirabilidade fica reduzida, bloqueando o sistema.

O que deve exigir no seu orçamento de capoto?

Para garantir que a sua fachada não vai precisar de manutenção precoce e que o sistema é aplicado como deve ser, exija três coisas ao seu empreiteiro:

  1. Ficha Técnica Homologada (ETA): Certifique-se de que todos os componentes do sistema (das placas de isolamento à massa final) são certificados.

  2. Acabamentos com anti-fungo, siliconado ou silicato: Recuse massas acrílicas baratas. Exija um acabamento de gama alta com proteção reforçada contra fungos e algas.

  3. Mão de obra qualificada: Peça para ver obras já concluídas pelo aplicador há mais de 3 ou 4 anos para verificar o estado real das fachadas.

Resumo da história: O capoto não precisa de ser pintado com rolo e tinta. O sistema foi desenhado para ser autónomo, elástico e durável. Se o aplicador insistir que a pintura é necessária, procure que lhe justifique o motivo: ou ele não sabe aplicar o revestimento texturado, ou está a tentar poupar dinheiro pois a aplicação de tinta também é mais económica.

Ficou com dúvidas sobre qual o melhor acabamento para a sua fachada? Deixe o seu comentário abaixo ou entre em contacto connosco para receber aconselhamento técnico especializado para a sua obra!

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